Não foi nenhuma novidade a matéria exibida neste domingo sobre o
pagamento de comissões a médicos para que eles indiquem farmácias. A
reportagem é iniciada com a seguinte frase: Vamos mostrar situações que
já foram muito faladas, mas que até hoje não tinham sido mostradas: o
pagamento de comissões a médicos para que eles indiquem farmácias.
Mais isso não acontece apenas com as farmácias de manipulação. Sabe-se
que a mesma relação, baseada no pagamento de comissões, também acontece
entre a indústria farmacêutica, empresas de equipamentos médicos,
laboratórios de análises clínicas e os médicos. Esperamos que isto
também seja denunciado. Os pacientes que estão sendo roubados e
enganados vão agradecer.
A reportagem também mostrou que existem bons empresários e
profissionais. Esperamos exatamente isso da mídia, que não seja parcial
e que sempre mostre os dois, ou mais, lados.
O Setor magistral possui uma entidade representativa, a ANFARMAG -
Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais. A ANFARMAG foi fundada
por farmacêuticos valorosos, que transformaram o setor em motivo de
orgulho para gerações e gerações de profissionais em todo o Brasil. A
ANFARMAG é uma referência e tem se destacado por uma gestão de alto
nível e pelo rigor e excelência técnica que garante a qualidade do
produto manipulado.
Mas temos que encarar os fatos e diante das denúncias existem três
possíveis caminhos que o setor magistral pode seguir:
1- Continuar agindo como sempre agiu, minimizando os fatos, e fingindo
que tudo esta muito bem, como o político corrupto que mesmo diante das
cenas tem a audácia de negar o cometimento. Digo isto como quem já
exerceu a profissão no setor magistral, que viveu a realidade do
pagamento de comissões, tentou levantar o debate sobre o assunto, foi
rechaçado e optou por abandonar o segmento na década 90.
Nota: Certamente este é o caminho de aprofundamento da crise ética com
conseqüências que podem ser devastadoras para o setor.
2 - Cair no erro de apontar que o que acontece no setor magistral também
acontece nos outros setores e optar por uma estratégia de revanchismo.
Nota: Cabe a polícia, aos orgãos sanitários e as entidades que cuidam da
ética profissional reprimir os abusos e retirar do mercado os que lesam
a saúde do consumidor. Além do mais, como diz o ditado, quando se aponta
um dedo pra alguém é bom lembrar que outros três estão apontados pra
você mesmo.
3 - Ter a coragem de encarar os fatos e repensar, coletivamente, as
práticas comerciais do segmento no país.
Nota: Este certamente é o caminho mais difícil. Resgatar um valor de
alto quilate como a ética exigirá enorme esforço, muita coragem para
fazer o que tem que ser feito e grandes líderes.
Obs: Nos que somos das gerações que se orgulham do setor magistral
sabemos que existem farmacêuticos valorosos para empreender esta tarefa
e esperamos que este legado de orgulho continue vivo nas mentes e nos
corações das futuras gerações de farmacêuticos (as).
Fonte: FEIFAR
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